| Crer Para Ver
O mundo moderno com seu racionalismo cientificista elegeu a lógica de Tomé como sua atitude fundamental diante da vida: é preciso ver para crer.
Embora comumente aceita, tal mentalidade conflita com a orientação de Jesus que nos ensinou exatamente o contrário.
Chegando certa vez em Betânia, estando Lázaro já morto, Jesus – que jamais descartara a possibilidade da ressurreição – se dirigiu a Maria e afirmou: “Se creres, verás a glória de Deus”. E acrescentou: “Crês tu nisto?”. Para ele estava muito claro: não é a visão das coisas que nos permite crer em sua realidade, mas a fé de que as mesmas podem vir a existência que torna possível sua concretização história, e, portanto, a visão das mesmas. Em outra palavras: não vemos para crer, mas cremos para ver. Cremos primeiro e então vemos nascer todas aquelas realidades que hoje são apenas conjecturas e possibilidades.
Os assim chamados heróis da fé sabiam o quanto isto era verdadeiro. Com efeito, na estrada da vida, “correram” como quem vê o invisível. Caminharam-se pela fé esperando a realização das promessas. Creram primeiro...
Quem, como Tomé, espera ver para crer saí perdendo. Com muita freqüência não vê e por isso acaba também não crendo. Quem segue a lógica de Cristo, é mais bem-aventurado. Pois, pela fé, experimenta no presente a alegria do futuro ainda por alvorecer. Gente assim, vive da esperança e desta maneira “não perde por esperar”.
A fé de que o impossível pode acontecer é o primeiro passo para sua concretização histórica. Quem crê assim e nesta perspectiva vive, carrega o futuro no ventre e aguarda otimista a sua concretização. E se porventura acontecer de não testemunharem o nascimento deste futuro – como ocorreu com alguns dos heróis da fé – ao menos terão vivido a alegria de sua gestação, da antecipação deste dia feliz.
Pr. Leandro Marques |