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Rev. Leandro Marques - 01/03/2009
O Preço da Comunhão
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O Preço da Comunhão



Quando ainda seminarista em Campinas, participei de um programa de aconselhamento voluntário por telefone chamado Disque-paz. Tão logo começaram as sessões, pude constatar com assustadora clareza que o principal problema das pessoas que procuravam o programa era a solidão. Solidão a dois, solidão em família, solidão na igreja, solidão em relação a Deus, solidão de tudo quanto era jeito e forma. Descobri que as pessoas estavam sós; e que a comunhão tornara-se o grande suspiro de muitos corações.

Não é difícil explicar por que as pessoas se tornaram tão sós (basta considerarmos o pouco tempo de que dispomos para investir nos relacionamentos interpessoais). Muito mais difícil é explicar por que as pessoas insistem em continuar sozinhas. De todo jeito, segue aqui uma tentativa.

A única maneira de nos livrarmos da solidão é através da convivência. Precisamente aqui se encontra o nó que precisamos desatar: temos tanta necessidade de conviver quanto fugimos de fazê-lo. Por quê? A resposta talvez se resuma em duas palavras: medo e egoísmo. 

Estou certo de que tememos a convivência. Sim, porque conviver é arriscado. À medida que convivemos com alguém, vamos nos expondo, nos desvelando, nos desnudando diante do outro. Quanto mais profunda desejamos que seja a relação, maior o risco que corremos de serem manifestados os nossos defeitos, as nossas fraquezas e limitações. Tudo o que sempre quisemos esconder tende a ser descoberto quando convivemos com outras pessoas. Aí reside a raiz de toda dificuldade: tememos ser rejeitados depois de conhecidos. As pessoas poderão descobrir quem sou e desistir de mim. Será que vale o risco? Somente se o outro se dispuser a arriscar também. Não existe comunhão onde não há reciprocidade. 

A outra razão pela qual continuamos sozinhos é porque somos extremamente egoístas. Não resta dúvidas de que queremos estar com outras pessoas que nos livrem da solidão, mas não sei se queremos ser o alguém que vai livrar outras pessoas da solidão. O nosso foco, via de regra, está em nós mesmos. Vivemos sozinhos porque procuramos, nos outros, a nós mesmos. Vamos ao outro pensando em nós mesmos; em nosso bem-estar, em nossas necessidades e carências. No fim, nosso egoísmo empurra de volta para longe de nós as pessoas que cativamos. Enquanto permanecermos egoístas, continuaremos sós. A comunhão prioriza a alteridade.

Sabemos, enfim, que a comuhão pressupõe a relação pessoal, a convivência com todos os riscos que lhe são inerentes. Ora, quem quiser ter comunhão, que exercite a coragem e o altruísmo. Pois “como ferro com ferro se afia”, assim também a convivência nos fará pessoas melhores e nos libertará finalmente da solidão — mas não sem produzir algumas fagulhas...



Pr. Leandro Marques

 
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