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Rev. Leandro Marques - 27/04/2009
Criados para Viver Eternamente
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Criados para Viver Eternamente

 

“Deus [...] pôs no coração do homem o anseio pela eternidade...” (NVI)

 

A vida é breve. Como declara o salmista – “Os dias de nossa vida sobem a setenta anos ou, em havendo vigor, a oitenta [...] porque tudo passa rapidamente e nós voamos” (Sl 90:10). Porém, para aqueles que creêm, há uma boa notícia: a vida não termina quando chegamos ao final deste número de anos. Esta vida que hoje conhecemos é, na realidade, uma espécie de ensaio geral para a vida com Deus do outro lado, na eternidade.

 

Nós bem o sabemos: os seres humanos não foram criados para a finitude e limitação desta vida mundana. Fomos criados para viver para sempre – e em plenitude. Daí que a morte nos cause tanta perplexidade. E a vida terrena tamanha ansiedade. Queremos viver plenamente cada minuto desta nossa vida debaixo do sol. Queremos viver eternamente a cada dia.

 

Este desejo humano é natural e universal. Ele ocorre em nossos corações porque Deus nos criou à sua imagem, para vivermos precisamente desta maneira. Como explica o texto de Eclesiastes: Deus pôs no coração humano “o anseio pela eternidade”.

 

Isto que o pregador de Eclesiastes chamou de “anseio pela eternidade” é aquilo que, na teologia, se denomina “necessidade de salvação”. O ser humano sente, intui, que sua vida não é como deveria ser. A partir de sua experiência cotidiana, conclui: a vida deveria ser diferente: mais justa, mais cheia de graça, generosidade e alegria, enfim, deveria ser melhor.

 

Esta perene insatisfação com a precariedade de sua vida, leva o ser humano a buscar plenitude (isto é: salvação, eternidade). O problema é que, influenciado pela cultura, ele interpreta esta busca em termos materialistas imaginando ser possível alcançar a vida plena através da aquisição de certos bens materiais, da assimilação de determinados estilos de vida, e da experiência inebriante do prazer, do sucesso, da admiração e da liberdade auto-centrada. O ser humano, deste modo, perde sua vida tentando salvá-la (Mt 16:25).

 

A vida plena pela qual todos ansiamos somente é possível em Deus. Pois a eternidade consiste em “conhecer ao único Deus verdadeiro e a Jesus Cristo” (Jo 17:3). Quanto mais o ser humano conhece a Cristo e se relaciona com Ele, mas sua vida se reveste de eternidade. Então o outro lado irrompe em nossa história enchendo-a de sentido, graça e plenitude. Como diz o salmista: “um dia na presença do Senhor vale mais que mil” (Sl 84:10). Vivemos eternamente quando vivemos com Deus.

 

Contudo, por ainda fazermos parte de uma realidade marcada pela ambigüidade, esta experiência da vida plenificada, somente nos é possível de forma incipiente, limitada e parcial. Apenas quando fecharmos finalmente os nossos olhos é que experimentaremos a eternidade em toda sua plenitude. Morreremos para ressuscitar. Esta certeza, de um lado, ilumina nossa vida terrena e, de outro, dá sentido a nossa morte. Quem nesta vida vive com Cristo e nele vem a morrer, sabe de antemão que também ressuscitará com ele para a eternidade. Quanto a isto, ninguém se engane: decidimos nosso destino eterno hoje, no aqui e agora desta nossa vida terrena.

 

Jesus disse: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14:6). Quem hoje decide abrir-se para a experiência de conhecê-lo, já não morre, mas passa da morte para a vida. Pois para quem vive com Cristo, a vida já não não consiste num dinamismo de vida e morte, mas de vida e ressurreição. Toda morte é princípio de algo novo. Assim sendo, a morte em si já não representa um fim, mas o início de um futuro cheio de plenitude e abundância de vida. De outra parte, quem se fecha para Cristo e vive para si mesmo, começa hoje a morrer eternamente...

 

Enfim, vivemos nossas vidas ansiando pela eternidade, mas somente a experimentaremos em Cristo, tanto no aqui e agora quanto no porvir. Nem dinheiro, nem poder, nem prazer, nem sucesso, nem notoriedade, nem nada neste mundo pode satisfazer este anseio profundo de nossos corações. Com efeito, é somente a presença eterna de Cristo em nosso viver diário que confere este sentido de eternidade à vida, tornando-a mais celetial e abundante. E é também apenas através da mediação de Cristo que garantimos nosso passaporte para a eternidade com Deus do outro lado desta vida sob o céu. Por este motivo, quem ainda não se abriu para Cristo, não deve esperar mais tempo para fazê-lo...

 

 

Pr. Leandro Marques 

 
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